quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Existe a profissão Analista de Informações Gerenciais ?

Este post é um primeiro ensaio sobre a reflexão: Existe a profissão Analista de Informações Gerenciais ?

Vamos aos dados:

  1. Segundo o Guia de Profissões e Salários do site Catho a profissão de Analista de Informações Gerenciais faz: "Extrai, manipula e analisa informações extraídas de bancos de dados. Gera e elabora relatórios, indicadores operacionais e de resultados. Analisa mensalmente os relatórios gerados, mapeia as necessidades das áreas de apoio e elaborar propostas de relatórios.";
  2. Ainda segundo este mesmo site, as carreiras relacionadas são: Analista de Business Inteligence e Analista de Controles Internos;
  3. A média salarial Brasil desta profissão é de R$ 3.268,38 sendo o setor bancário o que melhor remunera neste cargo;
  4. Numa consulta rápida, existe no momento deste texto 5 vagas anunciadas com esse título.
Obs: Todos os dados obtidos em 26/out/2016 as 16:42

1.Primeiro exercício: dividir em partes menores a definição do cargo


1.1 Extrai

A atividade de extrair informações de um banco de dados requer conhecimentos técnicos de informática em Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados (SGBD) quando as informações não estão estruturaras em um Sistema de Informação Gerencial (SIG) ou o manuseio de aplicativos próprios para acesso a estes sistemas (no 2o caso), como por exemplo o SAP Business Object.

Portanto o primeiro passo é identificar o ambiente, de modo geral são: 
  1. Informações descentralizadas que precisam ser estruturadas ou combinadas para então serem extraídas;
  2. Informações centralizadas em Bancos de Dados relacional em granularidade transacional (subsequente ao item 1)
  3. Informações processadas em Fatos, Perspectivas e visões em Banco de Dados e distribuídas em forma de relatórios (subseqüente ao item 2)
  4. Informações processadas em Fatos, Perspectivas e visões e distribuídas em um Sistema de Informações Gerenciais com ampla possibilidade de customização e manipulação pelo usuário final.
Geralmente os itens 1, 2 e 3 são soluções departamentais ou em empresas de pequeno porte, mantido por uma única pessoa ou uma pequena equipe multidisciplinar, já o item 4 é uma solução robusta, provida por tecnologia que envolve especialistas nas diferentes tecnologias necessárias (servidores, banco de dados, aplicativo, rede e etc...)

1.2 Manipula

A manipulação é a conexão entre a Extração e a Análise, mais uma vez o ambiente de Informações Gerenciais vai determinar a complexidade técnica envolvida na manipulação dos dados:
  1. Pode requerer combinação de dados, que por vezes precisam ser compatibilizados ou intermediados
  2. As possíveis combinações já estão previstas
  3. Pode requerer agrupamento dos dados ou os agrupamentos possíveis já estão previstos e os campos numéricos já calculados
Além das combinações de informações também é preciso avaliar a granularidade, em ambientes muito complexos e de grande quantidade de informações, os dados já estão agrupados em certo nível, impedido o acesso aos dados analíticos no nível da transação, limitando a capacidade de manipulação, todavia isso por vezes é necessário em função do tempo de processamento que um banco de dados de grande quantidade de informações pode requerer e também é mais aconselhável quando os dados são manipulados por usuários sem conhecimento técnico avançado, prevenindo assim  cálculos incompatíveis com certos agrupamentos ou duplicidades.

1.3 Análise Informações Extraídas de Banco de Dados

A análise tem como objetivo gerar uma síntese da conclusão que, como ensina Vicente Faconi no indispensável O Verdadeiro Poder, o Método Geral de Análise deve seguir:
  1. Análise Funcional
  2. Análise do Fenômeno
    1. Análise das Estruturas (Vertical)
    2. Análise dos Fluxos dos Processos (Horizontal)
  3. Preparação para análise do Problema Menor
    1. Análise Funcional Especifica
    2. Análise do Fenômeno Específica
  4. Análise do Processo

1.4 Gera e elabora relatórios, indicadores operacionais e de resultados

Já existe uma gama ampla de indicadores operacionais e de resultados definidos para as estruturas básicas das empresas, como por exemplo:
  1. Recursos Humanos
    1. Turnover
    2. Absenteísmo
  2. Call Center
    1. Nível de Serviço
    2. TMO
    3. TMA
  3. Finanças
    1. Margem
    2. EBTIDA
    3. ROI
Por vezes o trabalho do analista está em estruturar o ambiente de Informações Gerenciais, automatizar e aplicar os critérios de mercado para a geração de indicadores de modo que possam ser comparáveis interna (com outros departamentos) e externamente (com outras organizações).

De outro modo podem ser necessários criar indicadores ou relatórios para atividades especificas ou inovadoras (pense por exemplo no Uber que criou uma nova forma de transportar pessoas, provavelmente os indicadores existentes neste ramo não são tão relevantes quanto os novos que precisam ser criados).

Neste tópico, por minha conta, explicito também a responsabilidade pela distribuição da informação, nos afazeres deste cargo.

1.5 Analisa mensalmente os relatórios gerados, mapeia as necessidades das áreas de apoio e elaborar propostas de relatórios

Este item é a padronização e execução periódica dos itens anteriores.

2. Competências envolvidas

O leitor deve ter percebido no capítulo acima que alguns conceitos não foram esclarecidos ou exemplificamos, aqueles [leitores] com enfoque tecnológico talvez não tenham compreendido os itens 1.3 e 1.4, já os que tem enfoque administrativo talvez tenham tido dificuldade em mentalizar os itens 1.1 e 1.2, este é o primeiro ponto que vou abordar e a questão principal deste ensaio: Informações Gerenciais é uma atividade multidisciplinar.

Meus atuais 16 anos de experiências na função permitem observar: é muito raro encontrar um profissional completo: com conhecimento técnico em informática e real capacidade de análise.

Profissionais assim geralmente são super-valorizados no mercado e atuam em modelagem de riscos, princing ou áreas equivalentes - e, não são considerados Analistas de Informações Gerenciais e sim, por exemplo, Analistas de Modelagem de Riscos pois Extrair, Manipular e Analisar é um caminho para se atingir um objetivo maior que a função precípua na carreira de Riscos ou equivalente.

Riscos e Princing são funções com certo grau de padronização no mercado, como Recursos Humanos, Jurídico e etc... 

Um profissional de Informações Gerenciais de Recursos Humanos pode transitar com mais facilidade em diferentes empresas do que em diferentes departamentos, ou seja, terá muito por aprender para atuar com informações gerenciais de Marketing por exemplo.

3.Conhecimento sobre o negócio em questão

O conhecimento "do negócio" é parte crucial para se analisar os dados e produzir uma conclusão transformando-os em informação para verificação, controle e/ou decisão.

Ainda que a aquisição deste conhecimento esteja previsto no método geral da análise, em especial nas análises funcionais e do processo, é certo dizer que provavelmente não será tão profundo e ficará rapidamente obsoleto em relação ao conhecimento do negócio detido pelo gestor direto da função.

Aqui o termo "negócio" não se aplica exclusivamente a área comercial e sim a função em questão, por exemplo: Recrutamento e Seleção em Recursos Humanos, CRM em Marketing, Compras, Vendas e etc...

Pode ser notório ao analista de informações gerenciais baseado em Salvador que os pedidos estão levando mais tempo na fase de entrega ao cliente na unidade de São Paulo, mas dificilmente terá a mesma facilidade que o gerente de logística para encontrar a razão do atraso, por exemplo, a restrição de circulação de Caminhões, redução da velocidade nas marginais e etc...

Portanto, se a empresa deseja atribuir ao analista de informações gerenciais a análise da causa-raiz das variações numéricas dos indicadores ou relatórios, deve saber que esse profissional pode apoiar este processo utilizando os métodos de análise como citados no item 1.3, mas é geralmente impossível ou minimamente esforço redundante sem o envolvimento do gestor do negócio responsável.

Mesmo nas "etapas" mais técnicas como Extrair e Manipular informações, o conhecimento especifico do negócio é fundamental, por exemplo, na função Logística atributos geográficos são bastante óbvios, mas você já pensou nos "climáticos", aposto que as chuvas de verão aqui em São Paulo afetam negativamente o prazo de entrega, já o calendário de férias escolares provavelmente permite aumentar a quantidade de viagens por dia.

Figura 1: Combinação de Competências

4. A evolução dos aplicativos

É fato que utilizar o Excel na versão mais recente é absurdamente mais poderoso e simples que uma planilha em Lotus 123 ou um banco de dados DBase.

Exemplo, como atualizar o salário de funcionários que supervisionam 1 ou mais empregados no DBase (disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/DBASE acessado 27/10/2016 as 16:02):
  1. USE emp
  2. REPLACE ALL salario WITH salario * 1.1 FOR supervisiona > 0
  3. LIST ALL nome, sobrenome, salario TO PRINT
No Excel a mesma operação pode ser realizada de forma mais simples, intuitiva e construída passo-a-passo, produzindo diferentes cenários e comparando resultados.

De outro modo, a complexidade no ambiente dos negócios é crescente, pela velocidade de transformação da tecnologia da informação, no padrão e velocidade de consumo, novas leis e a globalização.

Figura 2: Em 19 dias Pokemon GO atingem 50 Milhões de Downloads (http://www.tudocelular.com/android/noticias/n75508/fenomeno-pokemon-go-recorde-downloads.html em 27/10/2016)

Figura 3: Exemplo ilustrativo: Complexidade do Ambiente x Simplificação dos aplicativos de análise e manipulação de dados

Figura 4: Exemplo ilustrativo: Os sistemas antigos estão gradativamente sendo substituídos por novos sistemas com foco na informação gerencial simples e rápida.

Hoje não é incomum encontrar gestores com alta capacidade de manusear aplicativos para Extração, Manipulação e Análise de Dados, em especial quando a extração de dados ou alimentação de um Data Warehouse é prevista no desenvolvimento do sistema transacional.

Figura 5: Agregação de competências

A agregação de competências certamente reduz o tempo de resposta e tomada de decisão.

5.Conclusão

A carreira de Informações Gerenciais é transitória, suprime GAP'S entre gerações (de pessoas e sistemas) e deve ser extinta e incorporada como competência dos gestores de qualquer negócio.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Cotas, Crack e Cicloqualquercoisa

Por vezes me pergunto se sou a favor ou contra o programa de cotas para negros.

O problema de ser contra qualquer programa social, ainda que em função de sua forma e não de seu propósito é que somos reduzidos a um estereótipo de um elite insensível e que perversamente quer manter o status quo para preserver interesses próprios.

Para que fique registrado, da forma como estão senda feitas em São Paulo, sou contrário: faixas exclusivas de ônibus, Ciclofaixas, Ciclovias e fechamento da avenida Paulista e no âmbito federal o programa de Cotas.

Mas feitas da forma certa, todas as iniciativas atenderiam a um propósito nobre e necessário, e podem ser bem sucedidas. Por isso optei por compartilhar um link: http://super.abril.com.br/comportamento/crack-tudo-o-que-sabiamos-sobre-ele-estava-errado?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

Antes que digam que critico sem apontar alternativas vou a uma breve justificativa, apenas um exemplo, do motivo que sou contrário as Cicloqualquercoisa:

  1. Moro a 2 quarteirões da escola dos meus filhos, mas não posso leva-los a pé devido ao tamanho do mato nas praças, buracos, desníveis nas calçadas, dificuldade em atravessar as ruas e etc...
  2. Acredito que a mobilidade urbana deve ser pensada de modo integrado e não excludente.
  3. O ITBI e demais componentes do custo de transação imobiliária (como a burocracia, crédito, velocidade e etc...) são parte dos limitadores para que as pessoas adequem a moradia a melhor logística.
  4. Investimos da periferia para diminuir o abismo entre os valores imobiliários.
  5. Legislação trabalhista mais moderna e adequada ao teletrabalho poderia simplificar a mobilidade de parte das pessoas.
  6. Legislação mais moderna, reconhecendo nas transações a autenticidade digital simplificaria a logística de documentos entre empresas e pessoas, retirando uma frota considerável de portadores e deslocamentos.
  7. Dentre tantos outros motivos já explorados pelos jornais e revistas.
  8. Se existe uma demanda presumida por cicloqualquercoisa não seria mais adequado fasear a implantação afim de testar o conceito, aprender com os erros e provar a demanda antes de um investimento tão significativo ?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Utilizando o Apple AirPort Time Capsule como Servidor de Arquivos Remoto

O AirPort Time Capsule é um daqueles aparelhos Apple mágicos: caro e indispensável depois de conhecê-lo.

Os principais detalhes estão no site da Apple em https://www.apple.com/br/airport-time-capsule/, basicamente:

  • Até 3TB de armazenamento;
  • Estação base até 3x mais rápida;
  • Compartilhamento de impressora ou disco rígido e
  • Backup sem fio automático
Antes da Apple anunciar o iCloud, quando as reportagens ainda estavam no campo da especulação, li uma em especial que me pareceu uma ótima idéia: A Apple iria permitir que os usuários criassem uma nuvem particular a partir de seus dispositivos AirPort. 

Pareceu-me uma boa ideia, pois descentralizado, seria mais seguro (não seria possível obter a senha de todos os usuários numa eventual falha). O problema poderia estar na velocidade de upload que no Brasil é tenebrosa (no plano de 30MB do Net Virtua, não chega nem em 2 MB). 

De qualquer modo não foi isso que aconteceu, a Apple criou um serviço centralizado, com o iTunes Match, que não seria possível do outro modo [e é excelente], mas uma coisa não inviabilizou a outra e junto com o lançamento do iCloud, uma serie de atualizações nos sistemas foram feitas, sem alarde,  dentre outras coisas, incluíram um recursos quase que silencioso chamado File Sharing.

O File Sharing permite compartilhar via internet o conteúdo de um HD externo conectado o AirPort, como descrito pela Apple:
"Compartilhe outro HD com toda a segurança. 
Além de oferecer armazenamento de 2TB ou 3TB, com o AirPort Time Capsule, você ainda pode agregar mais um HD externo USB e transformar em drive para compartilhar em sua rede Wi-Fi e acessar com segurança pela Internet. Todos os documentos, vídeos, fotos e outros arquivos ficam disponíveis no mesmo instante pela rede, para usuários de Mac e de PC."

A configuração é extremamente simples, e o acesso é transparente, através do Mac, exceto pela velocidade, o acesso aos arquivos é indiferente entre uma conexão em rede local e via internet.

Para tangibilizar o potencial, neste momento estou em Campos do Jordão, com o meu MacBook conectado na internet através do mini Modem 4G Oi, acessando os arquivos que estão salvos no HD externo conectado ao meu AirPort em São Paulo.

Existem varios fóruns na internet descrevendo o processo, mas as regras básicas (algumas não obrigatórias) para não ter problemas são:
  1. Utilize o Modem fornecido pela operadora de internet no modo Ponte (Bridge).
  2. O HD externo conectado ao AirPort deve estar formatado em modo Mac OS Extended (Journaled)
  3. Configure a conta iCloud através do AirPort Utility
  4. Pronto: Basta acessar a Time Capsule via Finder da mesma forma que faria em uma rede local.

Bom, como nunca estou 100% satisfeito, resta apenas a Apple adicionar o Backup automático de iPhone e iPad no Time Capsule...

domingo, 30 de março de 2014

Teste Prático com Panorama Sheet: Importação e Eliminação de Duplicidade.

Uma das atividades comuns no dia-a-dia da manipulação de bases para Informações Gerenciais é a eliminação de reincidência de registros, ou seja, manter somente o registro em que um determinado processo aparece pela 1a vez.

Exemplo hipotético, uma base de um sistema Workflow onde o processo é repetido para cada atividade:


Cada processo (Numero do Processo) aparece mais de uma vez, o objetivo é manter somente a primeira atividade de cada processo, ou seja, a que tem a menor data de inicio.

Obs: O Processo de numero 3 não passou pela atividade de "Análise de Crédito", em sistemas desta natureza, nem sempre todos os processos passam por todas as atividades, por exemplo, clientes que tem carta de crédito aprovada, por isso não basta selecionar a atividade "Análise de Crédito".

Este teste consiste em comparar a velocidade e simplicidade desta tarefa entre o Microsoft Excel e o Panorama Sheet, colocando a prova a tecnologia baseada em RAM que promete velocidade e flexibilidade:
"Panorama combines the best elements of database and spreadsheet technology into a single package, making it an unparalleled tool for working with and analyzing any kind of information. Like a spreadsheet, Panorama is RAM based for speed and flexibility, but with all of the data processing power of a full blown database application. The short video below demonstrates the benefits of this hybrid database/spreadsheet technology in action. After watching the video,download the Panorama free trial and experience it for yourself !"
O teste foi executado em um MacBook Pro, 2.5 Ghz Intel Core I5 com 8 GB de RAM 1600 Mhz DDR3 executando o OS X 10.0.2 (Mavericks), traduzindo no que interessa: uma maquina atual num patamar acima do padrão comercial (que tem 4 GB de memória RAM).

A base foi exportada através do Microsoft Acces para o formato texto (.txt) utilizando os parâmetros padrões (delimitado por aspas e separada por ponto e virgula) com 958.605 linhas (uma base razoável em sistemas de informação de organizações de médio e grande porte).

Passo-a-Passo que será executado no Excel:

No excel, serão executados os seguintes passos:

  1. Importar a base
  2. Classificar a base por Numero do Processo e por Data Inicio (para que a menor seja a primeira linha de cada processo)
  3. Criar uma formula para testar qual é a primeira linha de cada processo
  4. Fixar a formula, gravar o resultado como valor
  5. Excluir as linhas onde o resultado da formula é Verdadeiro.


A Formula da primeira linha (E2) deve ser A2=A1, assim em E3 a formula automaticamente será A3=A2 de tal modo que será verdadeiro quando o Numero do Processo da linha atual for igual ao Numero do Processo da linha acima.

Somente as linhas 2, 5 e 3 têm o resultado False, ou seja, o Numero do Processo não é igual a linha acima.





Filtro para selecionar os registros que serão excluídos.


Resultado Final (após limpar o filtro):


Executando o procedimento no Excel com a base completa:

A inicialização do Excel, localização do arquivo e importação do arquivo texto completo (com 958.605 linhas e 250 MB de tamanho) demandou 01:58,60, menos do que 2 minutos, considerando o tamanho do base, é um tempo muito bom.

A classificação pelo Numero do Processo e Data inicio, inserção de uma nova coluna, criação da formula, fixação do valor e aplicação do filtro também foram executados em tempos razoáveis. O problema foi na exclusão dos registros. Depois de 01:33:38,47 (uma hora e trinta minutos) e o notebook pelando de quente, abortei o processo.

Naturalmente que teria sido mais eficiente efetuar o processo inverso, ou seja, copiar para uma nova planilha os casos onde o resultado da formula é False ou invés de excluir o True, mas o objetivo é explorar situações mais onerosas ao software e hardware.

Executando o procedimento no Panorama Sheet:

Logo de inicio, chama a atenção o fato do Panorama Sheet não identificar a estrutura do arquivo txt (delimitado por aspas e separado por ponto e virgula).

A documentação fornecida pelo Software é bastante extensa (384 páginas): confirmado, o arquivo deve estar no formato "separado por tabulação ou virgula", diferente do que utilizei (ponto e virgula).

A solução parecia simples: abrir o arquivo em qualquer editor de textos e substituir o ponto e virgula por virgula e as aspas por nada. São "apenas" 18.213.514 ocorrência do caracter ";", substituição feita em 03:31,01 (3 minutos e meio). A substituição das aspas não foi como o esperado, o editor de textos travou e depois de 9 minutos resolvi abortar o processo. Voltar a Access e exportar a base no formato apropriado parece mais eficaz.

Voltando ao teste, agora a estrutura foi reconhecida e a primeira linha do arquivo foi assumida como cabeçalho da tabela:


Mas aparentemente o esforço foi em vão:


Próxima tentativa também foi frustrada: criar primeiro um banco de dados em branco para então incluir os registros através da opção de importação - mesmo erro !

Sabendo que existem muitos caracteres especiais em função da conversão de acentuação, novo teste, retirando todas as colunas com possíveis caracteres especiais através do Excel, mantendo basicamente o Número do Processo e a Data de Inicio da atividade, dados mínimos para atender a necessidade proposta. Também aproveitei para mudar a forma de separação dos campos, agora por tabulação, resultado:


Conclusão:

O aplicativo Panorama Sheet não cumpre o prometido, sequer funcionou em um teste pratico simulando as situações do dia-a-dia.

Existem outros caminhos através do próprio Excel que permitem atingir esse objetivo, portanto, continua sendo a melhor alternativa.

sábado, 29 de março de 2014

Panorama Sheet, uma alternativa de Banco de Dados para análise em Mac OS ?

Inconformado em ter que iniciar uma instância virtualizada (através do Parallels) do Windows XP toda vez que preciso fazer alguma análise de banco de dados mais complexa, uma vez que a Microsoft não disponibiliza o MS Access para Mac OSX, e a tentativa frustrada (alguns recursos não funcionaram) de usar o Wine (acrônimo de Wine Is Not Emulator), que em tese permitiria executar aplicativos do Windows dentro do OS X, fico constantemente em busca de novas soluções.

Hoje me deparei com uma novidade, ao menos para mim, o App (disponível também na App Store) Panorama Sheet.

Pelo review que busquei no Google (http://www.tuaw.com/2011/01/11/panorama-sheets-for-mac-a-first-look/), supreendentemente é um programa antigo, conhecido por aqueles que acompanham a plataforma Mac deste os primórdios, segundo o site próprio www.provue.com a mais de 25 anos desenvolvendo com usuários fiéis, o estranho é não tê-lo encontrado antes.

A versão Panorama Sheet que adquiri, não é muito recomendada em alguns reviews, é apontada como simples de mais, entretanto a versão Panorama (sem o sobrenome Sheet) muito elogiada, é extremamente cara (USD 299,00).

No site do fabricante existem vários videos demonstrado a ferramenta em ação, aparentemente é simples e intuitivo, mas naturalmente não permite avaliar se será capaz de resolver problemas reais de negócio, dai é melhor partir para a versão de avaliação, gratuita por 15 dias.

Postarei minha opinião em outra ocasião, depois de testar profundamente tenho a idéia de relatar um passo-a-passo a partir de uma situação hipotética do uso da ferramenta.

De inicio fica o registro de uma luz no final do túnel, talvez não muito esperançosa pois já percebi que não é possível importar diretamente um arquivo .mdb ou .accdb (extensões o Access).

domingo, 25 de agosto de 2013

Como Funciona o Conversor de Torque

Tive um problema no me carro, principalmente em subidas ele perdia força e junto um barulho como de correia patinando. Levei na concessionária e o prognostico indicava um problema no conversor de torque.

O problema foi resolvido, o carro ficou bom, mas o que é conversor de toque ?

Incrível como esse vídeo do Exercito Norte Americano, explica de forma simples o funcionamento do componente, mesmo se não entender a narração (em inglês) é possível entender com detalhes o funcionamento. Mais que recomendado:

Vídeo: como funciona um conversor de torque

Desde sempre o exercito sempre foi referencia em EAD, a necessidade faz a competência, afinal como instruir a tropa em todo o mundo do funcionamento de um componente que pode precisar de reparo em campo ?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Utilizando o IPhone para controlar uma apresentação em Keynote

Antes de ontem fiz a minha esperada apresentação no auditório da empresa, para um publico de aproximadamente 300 pessoas sobre "Gestão através de indicadores" e "SLA voltado ao negócio", o evento foi muito bem sucedido, principalmente graças aos meus testes feitos com antecedência.

Um dia antes da palestra reservei o auditorio por 30 minutos para testar todos os recursos, a palestra tinha aproximadamente 50 slides, todos com as anotações feitas no próprio Keynote (software para criar apresentações similar ao PowerPoint da Microsoft) e 1 filme de 30 minutos incorporado na apresentação. 

Minha idéia era deixar o notebook no púlpito, assim eu poderia consultar minhas anotações e passar por conta própria os slides no momento certo... Entretanto, para minha surpresa, as saídas de audio e video do auditório ficam em uma mesa de apoio no outro lado do palco, ou seja, o espaço foi projetado para que outra pessoa passe os slides ou utilizando um destes controles remotos que permite controlar a apresentação a distância.

Passar os slides poderia ser resolvido com o auxilio de alguém que pudesse ficar na mesa de apoio durante toda a apresentação, apesar de quebrar um pouco o ritmo o problema seria resolvido, mas isso ainda não me deixava confortável pois na tela do Notebook, além das minhas anotações - cruciais para mim - eu também tinha varias informações como o tempo decorrido, o tempo restante, qual era o próximo slides, se alguma animação do slide estava "em curso" e etc...

Pesquisando em diversos fóruns encontrei muitas sugestões interessantes como utilizar o Magic Mouse (mouse sem fio da apple) para passar os slides e, principalmente, utilizar um aplicativo para IPhone chamado "Keynote Remote", esse parecia ser promissor, como anunciado pela Apple:

Com o Keynote Remote, você pode controlar a sua apresentação de slides do Keynote no seu Mac, iPad, iPhone ou iPod touch a partir de outro iPhone ou iPod touch na mesma sala. Enquanto você apresenta, é possível visualizar o slide atual e as notas do apresentador na orientação retrato, ou o slide atual e o próximo slide na orientação paisagem. Passe o dedo para avançar ou para voltar ao slide anterior. O Keynote Remote funciona com a sua rede Wi-Fi, assim você pode controlar a apresentação de qualquer lugar da sala. O Keynote Remote pode usar Wi-Fi ou Bluetooth para conectar ao seu iPad, iPhone ou iPod touch.


Parece perfeito, pois eu não tinha acesso a rede sem fio do auditório e aparentemente poderia utilizar o Bluetooth do celular conectado ao computador para visualizar a apresentação e minhas anotações, além de poder controlar os slides mas infelizmente, tem um senão no texto acima, "... ou Bluetooth para conectar ao seu IPad, IPhone ou IPod touch", ou seja, a conexão Bluetooth permite controlar a apresentação apenas entre dispositivos moveis, por exemplo, controlar a apresentação que esta sendo executada em um IPad através de um IPhone.

Por algum motivo inexplicável não é permitido controlar a apresentação de um Mac a partir de um IPhone via Bluetooth.

Pelos comentários na Internet muita gente não entendeu a descrição da Apple e se frustou. Mas havia uma luz no fim do túnel.

Em pesquisas mais profundas encontrei a solução deste problema. Consiste basicamente criar uma rede Wi-Fi a partir do Mac OS X e conectar o IPhone nesta rede, assim os dois dispositivos ficam conectados na mesa rede Wi-Fi e o "Keynote Remote" funciona perfeitamente bem.

O video abaixo descreve o procedimento:


É isso ! Como vi que muita gente tem essa dúvida e não encontrei a solução em nenhum site brasileiro, resolvi fazer esse post...


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Marketing - Orientação para a Venda #Fail

Um case de #MarketingFail na organização de Marketing voltado para a Venda...

Na Mesbla, uma rede de lojas de departamentos de grande sucesso no Brasil na década de 1980, a loja em Recife sempre recebia uma quantidade de jogos para fondue incrivelmente grande, não obstante as temperaturas normalmente elevadas da cidade durante todo o ano.

Após algum tempo no estoque, sem vendas, esses produtos eram colocados em promoção, a preços muito baixos, o que comprometia a rentabilidade da loja.

Como não havia integração entre as áreas, o comprador responsável pelo produto, que ficava no escritório central, no Rio de Janeiro, julgava que se tratava de um item de alta demanda. Sempre repunha o estoque, perpetuando a situação.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

2 Engenheiros, 8 Milhões e uma solução....

Apesar das controvérsias quando ao valor, veracidade dos fatos, fica a reflexão, as vezes a soluções é mais simples do que imaginamos:


O video narra a história de uma grande multinacional do segmento de produtos de higiene pessoal, que tinha um problema: algumas embalagens de pasta de dente passavam, por falha na linha de produto, vazias - sem o respectivo tubo em seu interior.

Como você resolveria esse problema, a dica: criatividade, inovação, estoque de conhecimento da operações...


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Criatividade, Apresentação e Inovação

Estava revirando a Internet atrás de alguma apresentação que pudesse me servir de inspiração. Procurei no google por "Best presentation of world"e achei algo que valeu muito mais que uma boa apresentação visual.

Sem nenhum slide sequer, essa apresentação consegue prender a atenção por vinte minutos, e ainda fazer você pensar por dias...

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Verdadeiro Poder - Vicente Falconi

Fiz uma coletânea das frases que introduzem cada 1 dos 10 capítulos do ótimo O Verdadeiro Poder do Vicente Falconi:

A começar pela mais importante do prefácio: "...Capacidade Analítica e Conhecimento, aliados a uma Liderança que faça acontecer, são O Verdadeiro Poder!"



  • Só é gerenciado aquilo que se mede - Kaoru Ishikawa
  • Poucas coisas são realmente importantes num negócio - Sam Walton
  • Os fatores tradicionais de produção - terra, mão-de-obra e até dinheiro, pela sua mobilidade - não mais garantem vantagem competitiva a uma nação em particular. Ao invés disto, o gerenciamento tornou-se o fator decisivo de produção. - Peter F. Drucker
  • Para fazer melhorias fundamentais no processo de produção, nós temos que distinguir fluxo de materiais ou informações de fluxo de trabalho e analisá-los separadamente. Muito embora o processo seja realizado por uma séria de operações, é errado visualizá-lo por uma linha simples porque reforça a idéia enganosa de que, melhorando as operações individuais, será melhorado a eficiência global do fluxo de processo do qual elas fazem parte. Melhorias nas operações, feitas sem considerar o seu impacto no processo, poderão até reduzir a eficiência global. - Shigeo Shingo
  • We don't live ia a unidirectional world in which a problem leads to an action that leads to a solution. Instead, we live in a on-going circular environment. Each action is based on current conditions, such action. There is no beginning or end to the process. Feedback loops interconnect peoples. Each person reacts to the echo of his past actions, as well as to the past actions of others - Jay W. Forrester
  • A melhor análise é a mais simples, desde que ofereça o entendimento necessários - Donald J. Wheeler
  • Quem não se comunica se trumbica - Abelardo Barbosa, o "Chacrinha"
  • Custo é igual unha. Tem que cortar sempre ! - Autor Desconhecido
  • Alto-Forno é ritmo ! - Autor Desconhecido
  • There is no substitute for knowledge - W. Edwards Deming

sábado, 26 de novembro de 2011

Pivot Table no iWork'09

O Ms Office for Mac evoluiu muito, e agora suportando a execução de Macros (VBA) esta cada vez mais próximo de dispensar totalmente o MsOffice for Windows que rodo em minha maquina virtual dentro do Mac OS Lion, de fato falta somente o Access.

Mas e o iWork, quanto falta para substituir o Office ?

Muito, mas existem algumas soluções alternativas para algumas das funcionalidades imprescindíveis no Office e ausentes no iWork.

Uma delas é a possibilidade de simular o Pivot Table (tabela dinâmica do Excel) no Numbers utilizando o agrupamento por categorias.

O video http://macmost.com/pivot-tables-in-iwork-09-numbers.html mostra como fazer.

domingo, 20 de novembro de 2011

Os piores erros na gestão de equipes

O portal Santander Empreendedor publicou um lista com os 10 piores erros na gestão de equipes, no conteúdo completo (http://www.santanderempreendedor.com.br/noticias/gestao/1225-os-piores-erros-na-gestao-de-equipes) para cada um deles existe uma breve descrição. São eles:


  1. Tratar pessoas como máquinas
  2. Ser arrogante
  3. Deixar de fazer o planejamento
  4. Ignorar os retornos
  5. Centralizar tudo
  6. Interferir na vida pessoal do funcionário
  7. Não dar atenção à contratação
  8. Não saber se comunicar
  9. Desrespeitar a diversidade
  10. Ignorar conflitos
Tendo a concordar, mas acho que o item 3 merecia uma atenção mais especial.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resolvendo problema de conexão Wi-Fi após retornar do modo de repouso no Mac OS X Lion

Ultimamente a Apple tem deixado algumas arestas em seus produtos de software, haja vista problemas de consumo de bateria no IOS 5, falha no serviço de reminder por geolocalização (também no IOS5) e tantos outros.

O Mac OS Lion não esta isento, um problema, mesmo que não muito grave, vinha me incomodando, toda vez que eu retornava do: sleep mode (modo de repouso, quando se baixa a tampa do notebook) a rede wi-fi (internet) não era reconectada automaticamente.

A vantagem da crescente base de usuário da plataforma Apple é que o fóruns tem sido cada vez mais completos, e foi desta forma que eu encontrei a solução em: https://discussions.apple.com/thread/3194917?start=0&tstart=0

Basicamente o procedimento se resume em 3 passos:

  1. Desligar o airport, no meu superior, no ícone da rede sem-fio, clique em "Desativar WI-FI"
  2. Abra o Finder, na barra lateral, em dispositivo, selecione o seu computador > sua unidade de disco > Biblioteca > Preferences > SystemConfiguration e exclua o arquivo "com.apple.airport.preferences.plist"
  3. Ative o airport, processo inverso descrito no item 1 e selecione novamente a sua rede sem-fio.
Pronto !

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Inspiira - Teste de Personalidade

Fiz um teste de personalidade gratuito (Inspiira - O melhor teste de personalidade da internet).

Eu, minha esposa e minha mãe, consideramos o resultado bem parecido com aquilo que sou. Elas também fizeram e no caso da minha mãe também foi bem assertivo, já a minha esposa, acho que por ser  muito abstrato, deu apenas para reconhecer alguns traços.

O meu resultado (e link para fazer o teste): http://inspiira.org/teste-de-personalidade/intp-o-arquiteto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Financiamento Coletivo de Projetos Inovadores

Fiquei encantado com a idéia de um site voltado para o financiamento coletivo de projetos inovadores. Vou explorar para entender melhor e constatar se realmente funciona. Para quem ainda não conhece, sugiro acessar: http://www.comecaki.com.br/paginas/como_funciona

sábado, 9 de julho de 2011

Lealdade é coisa do passado. Como reter talentos

Tomei a liberdade de alterar o título original "O Capital Humano" para "Lealdade é coisa do passado. Como reter talentos", Após a leitura do texto acho que concordaram comigo que o novo titulo faz mais jus ao conteúdo.


O Capital Humano

Reter e atrair talentos tornou-se uma questão de vida ou morte para as empresas

Você está concentrado, trabalhando na sua sala, quando a secretária entra e diz aquela frase fatídica: "Fulano de tal está aí fora e precisa muito falar com você". O tal "fulano", claro, é o seu melhor executivo. É o mais promissor. Está resolvendo uma porção de problemas. Você e a empresa já investiram e vêm investindo pesado nele. Fazer o quê? Você o recebe. E aí ouve exatamente aquilo que passou pela sua cabeça numa fração de segundo, quando a secretária o anunciou. "Não é nada pessoal, gosto muito de você e adoro a empresa", diz ele. "Mas recebi uma proposta irrecusável."

Notícia dura? Se é. Dura, séria, exasperante, custosa - e cada vez mais freqüente no mundo empresarial. Por mais atrativos materiais e perspectivas de crescimento que se ofereçam ao profissional, ninguém, ninguém mesmo, está a salvo de ter que encarar uma conversa dessa. No ambiente de trabalho de hoje a velha história da lealdade que o funcionário tinha que ter com a empresa foi para o espaço. Morto e sepultado está o tempo em que as empresas ofereciam aos seus empregados a garantia de uma carreira até a aposentadoria - e em troca tinham deles fidelidade também até a aposentadoria.

Reestruturações, reengenharias, downsizings, rightsizings - todos esses nomes, no fundo, são sinônimos sofisticados de uma única coisa: corte de custos, a começar por gente. Poucas empresas no Brasil e no mundo conseguiram se manter à margem disso nos últimos anos. De acordo com um artigo recente publicado no Wall Street Journal, a maioria das 500 maiores empresas americanas listadas anualmente na revista Fortune está sofrendo os efeitos da chamada "síndrome dos sobreviventes de demissões", na qual a desconfiança e a ansiedade substituem os sentimentos de lealdade e segurança. O outro lado dessa moeda é que também a lealdade do empregado em relação à empresa deixou de existir -- ao menos no seu modelo tradicional. "Hoje em dia, todas as organizações dizem que as pessoas são o seu maior ativo, mas poucas praticam o que pregam e um número ainda menor acredita realmente nisso", afirma Peter Drucker, talvez a maior autoridade mundial em administração. "A maioria das empresas ainda acredita, embora talvez inconscientemente, no que os empregadores do século passado acreditavam: as pessoas precisam mais de nós do que nós precisamos delas."

E a verdade é que, mais que nunca, as empresas precisam de talentos. Nestes tempos de competição acirrada, a qualidade da mão-de-obra é um fator decisivo para a vida das companhias. Com o fim da era da lealdade, elas estão tendo que encontrar com urgência novas formas de manter e atrair talentos. Trata-se - nem mais, nem menos - de uma questão de vida ou morte. O chamado capital humano pode matar e pode salvar.

Muito pouca gente, se é que ainda existe alguém, entra numa empresa com a idéia de ali passar os próximos 20 ou 30 anos. Por mais entusiasmada e dedicada que a pessoa seja, e por mais que goste do que faz, seu compromisso termina no exato momento em que recebe uma proposta "irrecusável" (sob vários ou todos os pontos de vista) e se dirige à sala do chefe para ter aquela conversa citada atrás.

"A visão de que lealdade é coisa do passado está ganhando terreno", diz Frederick Reichheld, em seu livro A Estratégia da Lealdade. Reichheld é diretor da Bain & Company, a mais respeitada consultoria do mundo em estratégia de retenção de clientes e empregados. "Cada vez mais a idéia que prevalece é que os funcionários precisam assumir totalmente a responsabilidade por suas próprias carreiras." Essa onda, evidentemente, vai adquirir um volume tanto maior quanto mais aquecido estiver o mercado de trabalho. Em situações de desemprego, o problema permanece oculto. Quando a demanda por trabalho cresce - como ocorre atualmente nos Estados Unidos e, no caso do Brasil, em diversas categorias de talento executivo -, os bons funcionários não esquentam cadeira.

[...]

COISA DE 1 MILHÃO - Essa nova realidade acarreta às empresas inúmeros problemas. O primeiro deles é perder capital humano numa época em que pouca coisa é tão crucial para os negócios quanto ter gente talentosa cuidando deles. Na verdade, toda vez que um bom executivo vai embora a empresa perde uma parte daquilo que é hoje o maior diferencial competitivo de qualquer companhia que pretenda durar no mercado. Perde, também, tudo o que foi investido até então naquele profissional, do recrutamento aos cursos, seminários, viagens e benefícios. É uma perda que será dobrada quando se considera que é preciso formar outras pessoas para substituir as que saíram. De acordo com uma estimativa feita pela Hay Consultoria, essa perda pode custar hoje entre 300 000 e 600 000 reais, no caso de um profissional mediano. Com um executivo de primeira linha a conta é coisa de 1 milhão para cima.

Faça os cálculos. "Só com a contratação do substituto os headhunters levam de 30% a 35% da remuneração anual da pessoa", afirma Luiz Fernando Giorgi, gerente-geral da Hay no Brasil. "A isso se deve somar o tempo gasto para formar um novo profissional, nunca menos de um ano, podendo chegar a três." Há ainda os ativos que, dependendo do caso, os funcionários talentosos levam junto quando vão embora: clientes, fornecedores, contatos de parcerias e até - por mais éticos que sejam - projetos. O último e talvez o pior dos prejuízos é o fato de que, ao deixar a empresa, os talentos em geral vão fortalecer o concorrente. Há dúvidas de que é para lá que eles vão?

RETÓRICA - Considerando-se há quanto tempo esse problema está aí, as somas em dinheiro que já consumiu, as frustrações, inimizades e rancores e o desperdício de energia que ocasiona, é de admirar que cinco minutos depois de ler esta reportagem você continue correndo o risco de ter que enfrentá-lo mais uma vez na sua área. É verdade que as empresas vêm tomando consciência dele cada vez mais e até têm criado estratégias específicas para combatê-lo. Isso é um grande avanço, visto que antes o consideravam mais um entre os pertencentes à categoria das "coisas da vida". Muito bem, mas como enfrentá-lo? O primeiro passo é ter claro na cabeça o seguinte: no momento em que aquela conversa acontece, já é tarde demais para fazer alguma coisa. Quase sempre é inútil fazer uma contraproposta, dar um aumento ou tentar segurar a pessoa na retórica. É claro que há exceções. Dependendo de quem se trata e das circunstâncias, cabe até cobrir a proposta.

Mas essa solução tem limites - muitas vezes, simplesmente não há dinheiro para neutralizar o ataque - e inconvenientes. O primeiro é que quando a coisa chega a esse ponto dificilmente o relacionamento entre o superior (ou a empresa) e o subordinado ficará melhor dali para a frente. O segundo é que ela não pode ser aplicada com a mesma freqüência com que os talentos são seduzidos por ofertas da concorrência. O terceiro é que cobrir propostas de uns e não de outros, ou aumentar a remuneração de quem recebeu uma oferta e não dar aumento aos demais, sempre acaba amargando o clima do ambiente de trabalho. Conclusão: segurar os talentos é um trabalho que tem de ser realizado todos os dias, e previamente. Excelentes pistas de como fazer isso estão no Guia das Melhores Empresas do Brasil Para Você Trabalhar, suplemento especial que acompanha a presente edição de EXAME. Ali estão listadas as companhias que, pela avaliação dos funcionários e por uma série de fatores objetivos, têm as melhores práticas na criação e manutenção de atrativos para seus profissionais.

"Quando se trata de reter pessoas, não há ações corretivas", diz Maurizio Mauro, presidente da Booz-Allen no Brasil. "O mercado está agredindo as empresas o tempo todo e não adianta esperar que isso mude, porque não vai mudar." Celeiros de pessoal bem treinado, as grandes consultorias sempre foram vítimas do assédio ininterrupto do mercado. Na Booz-Allen, a maior parte dos consultores recebe, em média, uma proposta por ano. E aqueles altamente qualificados, que possuem grande potencial de desenvolvimento, recebem pelo menos cinco. No setor de tecnologia, o mais atingido atualmente pelo "roubo" de talentos, a situação está na base do salve-se-quem-puder.

"Se eu tivesse condições de bloquear todos os telefonemas de headhunters que os nossos funcionários recebem diariamente, acho que o número de ligações cairia 70%", diz Dario Boralli, gerente-geral no Brasil da Sun Microsystems, maior rival da Microsoft na Internet. Já que é impossível impedir que o concorrente vá caçar no seu território, o desafio que você tem pela frente é dificultar ao máximo a vida dele. "A solução tem que vir das empresas. Cabe a elas criar um ambiente em que as ofertas externas não sejam tão atraentes", afirma Mauro. "Toda empresa que está num mercado vivo e de concorrência acirrada tem que tomar providências práticas e efetivas para se defender dos ataques ao seu pessoal, porque headhunters batendo na sua porta você sempre vai ter", diz Boralli.

Como se proteger da artilharia da concorrência? Todas as empresas de ponta já incorporaram às suas estratégias de negócios programas voltados exclusivamente para segurar as pessoas com grande potencial. A primeira e mais importante arma desses programas é o dinheiro? Alguns especialistas vão afirmar que sim, e, de fato, muitas vezes o dinheiro funciona como uma algema. Mas há um enorme problema com essa algema: a qualquer momento o seu concorrente pode vir e oferecer mais. Portanto, esses programas não se baseiam numa única arma principal, e sim num tripé formado por perspectivas de carreira, pacote de remuneração e ambiente de trabalho.

Cada uma dessas coisas, aplicada isoladamente, não surte efeito. É preciso que se somem e formem um conjunto coerente, ligado pelo princípio fundamental de criar interesses concretos para a permanência a longo prazo dos talentos que se pretende conservar. Em outras palavras: estará mais protegida a empresa capaz de dar motivos para os bons profissionais compreenderem claramente que, quanto mais tempo ficarem nela, mais irão se beneficiar pessoalmente. Vamos começar falando da carreira, a perna do tripé em que os talentos se mostram mais exigentes. Retê-los, hoje em dia, sem lhes dar perspectivas reais de progresso é impossível.

Pessoas talentosas querem saber onde estão pisando, querem planos de carreira objetivos, querem sentir que estão se desenvolvendo e aprendendo, na prática e com treinamentos. Querem sentir que a empresa está apostando nelas e no seu crescimento profissional. Querem poder exercer toda a sua criatividade. Dez meses atrás, Alexandre Pombo, 30 anos, saiu da IBM e foi para a Microsoft, onde é gerente de uma área de negócios. A razão? "A estrutura monolítica da IBM não permitia que eu exercesse a minha criatividade", diz ele. "Basicamente, eu tinha que cumprir ordens, e isso me frustrava." Os talentos querem, também, possibilidades concretas de realizações continuadas. "Aqueles executivos de alto desempenho que já cumpriram missões de grande responsabilidade e passaram por experiências diversas ficam mais sujeitos ao mercado", diz Guilherme Dale, vice-presidente da Spencer Stuart, empresa de headhunting voltada para o top management. "É preciso mantê-los envolvidos em projetos novos, em desafios constantes."

SEM GANHAR NADA - Reter talentos consagrados pode implicar ações mais complexas, mas eles são minoria no mercado. Muito mais trabalhoso é reter os talentos iminentes e os que têm futuro. Gente como, por exemplo, Eduardo Cocozza, gerente da Motorola. Dois anos atrás, Cocozza, um engenheiro eletrônico de 28 anos que ainda está cursando pós-graduação em marketing, trocou a empresa em que estava pela concorrente direta. E sem ganhar um real a mais. O motivo? Falta de perspectivas. "A companhia tinha uma estrutura hierárquica rígida. Eu estava lá fazia seis anos e não via chance de mudanças a não ser a longo prazo", diz ele. Em seis meses de Motorola, Cocozza passou de técnico a gerente de negócios na área de desenvolvimento de soluções para os consórcios da banda B.

Só no quesito treinamento, a Motorola oferece um mínimo de 40 horas por ano para todos os funcionários (com exceção dos engenheiros, cuja carga é dobrada). "Apostei na Motorola porque senti que ela estava apostando em mim", afirma Cocozza. Talentos jovens e promissores como Cocozza existem numa escala muito maior. Por isso mesmo, exigem das empresas mais atenção e disponibilidade de recursos. "Estamos sentindo uma grande pressão sobre gerentes novos e pessoas próximas do nível gerencial", afirma Carlos Siffert, diretor-presidente da Promon. Para fortalecer a resistência deles à pressão externa, o arsenal retentor da Promon inclui valorizar ao máximo a atualização e o desenvolvimento.

A empresa gasta 7 milhões de dólares por ano só na capacitação profissional de seu contingente, o que significa 60 horas por ano para cada funcionário. Parte do treinamento é técnico, parte comportamental (negociação, atitudes etc.).

Os talentos-alvo-do-mercado, além de sedentos de conhecimento, são irrequietos. Não têm paciência de esperar até a empresa considerar o momento adequado para começar a galgar degraus montanha acima. Querem queimar etapas, querem autonomia. Segundo Siffert, a Promon procura dar tudo isso aos seus profissionais. O que querem é adquirir a propagada "experiência diversificada"? Eles têm essa chance dentro das próprias unidades de negócios da empresa. No ano passado, 27% das vagas que surgiram nas unidades de negócios da Promon foram preenchidas pelo pessoal interno. "Quem quer ficar pulando de galho em galho não precisa sair da empresa. Aqui também temos os galhos", diz Siffert.

O atrativo financeiro, sem dúvida, é importante - não há, simplesmente, como fugir disso. É claro que sempre se discutirá muito quanto o dinheiro, por si só, segura de fato alguém em algum lugar. Alguns analistas acreditam que seu peso não ultrapassa 20% entre os fatores que contribuem para a satisfação dos profissionais. Pode até ser, sobretudo a partir de um certo conjunto de circunstâncias - nível de remuneração já alto, muitos anos de casa, amizades pessoais. Mas, no geral, dinheiro no bolso pesa muito, e isso faz do pacote de remuneração a segunda perna do tripé sobre o qual se baseiam os programas de retenção das empresas de ponta. "É fundamental adotar políticas salariais agressivas", afirma Guilherme Dale. Empresas como a Sun, Motorola, Booz-Allen, Promon e muitas outras entendem que "agressividade" é manter os salários no terceiro quartil da escala vigente no mercado. É nessa faixa que elas pagam a maior parte de seus funcionários.

Tal qual qualquer produto, o profissional vale aquilo que o mercado está disposto a pagar. E, tratando-se de talentos, ele está disposto a pagar muito. Sobretudo aos especialistas em alguma das áreas mais carentes naquele momento - como é o caso atual do varejo, por exemplo. "Depois que as margens de lucro praticadas no Brasil despencaram do patamar absurdo para o real, e logo ficou claro quem é bom mesmo no ramo, achar um bom profissional de varejo tem sido dificílimo", afirma o headhunter Simon Franco, diretor da Simon Franco Recursos Humanos. De acordo com Franco, o salário anual na área de varejo de um gerente sênior, de um diretor regional ou de um diretor de loja está na base dos 160 000 a 200 000 reais, fora bônus e benefícios. Enfrentar a concorrência hoje, como se vê, é coisa para quem não tem dó de pôr a mão no bolso.

Política de remuneração agressiva não significa salário fixo estratosférico. Ao contrário, a tendência das empresas é centrar forças sobretudo no variável e atrelá-lo ao desempenho das pessoas e da companhia. O banco Bozano, Simonsen, entre muitos outros exemplos, faz isso. O salário mensal dos seus diretores está na casa dos 9 000 reais (o mercado paga entre 12 000 e 20 000 reais). Em compensação, como o Bozano distribui 25% do seu lucro anual, eles levam para casa diversos salários extras. No primeiro semestre deste ano, sobre um lucro de 90 milhões de reais, foram distribuídos 22,5 milhões entre os 350 funcionários do banco - o que deu, a grosso modo, mais de 64 000 reais por pessoa. Como a distribuição, naturalmente, não é igual para todos, pode-se imaginar as belas quantias extras que os executivos mais graduados levaram para casa.

Reter talentos por meio da remuneração variável não é pagar a eles dois salários suplementares no começo de cada ano. "É preciso que o bom profissional tenha a possibilidade de dobrar o ganho anual", afirma Dale. "Hoje você tem que se manter empregável, e para isso ter uma reserva financeira é essencial." Uma boa reserva, por si só, não garante um emprego novo, mas a sua falta manda lá para as alturas o grau de ansiedade de qualquer cidadão. (Nada como estar com as contas em dia para manter o pensamento positivo, transmitir equilíbrio nas entrevistas de seleção e fazer uma pedida alta.) Ao menos para os mortais comuns, fazer uma reserva financeira, atualmente, só é possível com uma boa remuneração variável. Nesse quesito, o Bozano, Simonsen não deve estar tendo dificuldades de segurar seu pessoal. O banco não divulga quantos salários, em média, cada funcionário recebe por ano, mas sabe-se que ali há jovens de 24 anos de idade ganhando 150 000 reais. Muitas empresas lançam mão, além disso, de programas de remuneração diferida, com incentivo à permanência de longo prazo. A mensagem é clara: se você sair agora, deixará de ganhar um dinheiro que o espera lá na frente.

O instrumento mais utilizado nesses programas, sobretudo entre as multinacionais, é a stock option - basicamente, um pacote de ações que o executivo recebe para vender dentro de um determinado prazo no futuro, lucrando a diferença entre o preço da ação no momento em que a recebe e no momento em que a vende. Empresas que não têm ações cotadas em bolsa, aqui ou no exterior, aplicam programas em que o incentivo ao ganho futuro está na valorização patrimonial da companhia ou do negócio tocado pelo executivo.

Um ponto importante do pacote de compensação são os benefícios. Ouve-se falar que a tendência é que eles desapareçam com o tempo e sejam substituídos pelo mesmo valor em salário. A idéia é que os próprios funcionários administrem o montante a que têm direito da forma que bem entenderem. Esse sistema tem sido adotado mais pelos bancos de investimento. No Brasil, o Garantia, Pactual, Icatu e Bozano, Simonsen são alguns dos que aderiram. Enquanto essa nova prática não se espalha, as companhias fazem o possível, cada uma à sua maneira, para adequar os benefícios às necessidades dos empregados, porque o que importa mesmo é que eles sejam úteis.

AMBIENTE HOSTIL - Nesse sentido, os executivos têm sido mais favorecidos que os outros funcionários. Diversas empresas oferecem a eles um leque de opções diversificado em termos de previdência privada - outro poderoso incentivo à permanência de longo prazo - e de planos de saúde. Permitem, também, que escolham o automóvel que quiserem dentro do limite fixado ou que completem o capital se optarem por algum que ultrapasse o valor.

"São atitudes simples e que às vezes nem requerem investimento por parte da empresa, mas que fazem uma enorme diferença para as pessoas no cômputo geral", diz Alberto Golbert, diretor de RH da Hewllet-Packard. A HP introduziu um programa de benefícios flexíveis interessante. Cada funcionário tem liberdade de escolher aquilo que lhe interessa dentro da verba mensal determinada. A empresa continua pagando 70% das despesas com saúde, estudos e creche. Mas há um montante adicional em que podem ser jogados os 30% restantes desses gastos. A verba pode ser acumulada caso não seja usada completamente num determinado mês.

Pagar bons salários e proporcionar crescimento na carreira pode até segurar os talentos. Só que não por um tempo muito longo. Poucos profissionais se dispõem, atualmente, a suportar um ambiente de trabalho hostil, autoritário e marcado por disputas não-éticas, em nome do crescimento e de uma remuneração interessante. Sobretudo os mais jovens, com potencial de futuro. As novas gerações são mais exigentes em relação à qualidade de vida. E ambiente de trabalho saudável tem tudo a ver com qualidade de vida. "O nível de infelicidade no ambiente da empresa está muito alto. Atualmente, mais da metade das mudanças de emprego se deve a isso", afirma Bernt Entschev, diretor da De Bernt Entschev-Executive Search.

Segundo Entschev, nas trocas de emprego, executivos talentosos têm aumentos de 30% a 40%, em média, o que não é suficiente para tirar ninguém de lugar nenhum, a não ser que a pessoa esteja suscetível. "A verdade é que cada vez mais pessoas estão", afirma ele. Uma pesquisa realizada pelo headhunter Antonio Carlos Cabrera, da PMC Amrop International, pode dar algumas pistas dos novos vínculos que ligam os profissionais às empresas. Cabrera entrevistou 61 executivos e fez a eles a mesma pergunta: por que você trabalha nessa empresa? A oferta de desafios foi a resposta predominante. Não precisa ser desafio de crescimento. Às vezes, é apenas uma meta ambiciosa de participação de mercado, de lucratividade ou o projeto de um novo produto ou serviço.

"As pessoas querem ser desafiadas, pois é assim que se julgam importantes, se sentem seguras mesmo que a empresa não ofereça segurança", diz Cabrera. A segunda conclusão: o vínculo com o emprego está virando um vínculo com as pessoas. "As empresas estão deixando de ser organizações de cargos para ser organizações de pessoas", diz ele. Ou seja, o ambiente de trabalho e o clima interno nunca foram tão importantes. Por fim, Cabrera concluiu que as pessoas gostam das empresas transparentes. Essas companhias não escondem informações, difundem sua missão e seus valores e, por tabela, fazem com que os funcionários se sintam comprometidos com eles. A gestão de uma companhia assim não pode mais ser uma gestão da mão-de-obra. "As companhias estão buscando o homem inteiro, aquele que leva para o emprego mais do que sua capacidade física de trabalho. Esse homem vem com coração, com sentimentos", diz.

GESTÃO ESPIRITUAL - O problema, continua Cabrera, é que as companhias precisam aprender a administrar os sentimentos das pessoas. Só assim estarão também administrando o vínculo delas com a empresa. Essa nova gestão independe da lógica. Segundo ele, agora estamos falando daquilo que os americanos já batizaram de gestão espiritual. "O vínculo não está mais no contrato de trabalho. Ele é sustentado, é eterno enquanto dura", diz. Promover um ambiente de trabalho sadio, estimulante e impregnado de uma camaradagem verdadeira, portanto, é fundamental para não perder os talentos. Provavelmente, a mais fundamental de todas as armas de retenção. Para ser sadio, o ambiente tem que ser permeado pela comunicação aberta e pela prática permanente dos princípios éticos. Funcionários de empresas que conseguem vencer esses desafios pensam dez vezes antes de sair - e na décima primeira costumam ficar.

Três meses atrás, Rodrigo Diago, gerente especializado em processos para a área de varejo, recebeu uma belíssima proposta para deixar a Andersen Consulting, onde está há oito anos. Seu salário, de imediato, iria dobrar. Mas Diago, 30 anos, recusou. "Houve empenho da empresa para que eu ficasse e realizasse, aqui dentro mesmo, tudo o que me motivava a sair", diz ele. De acordo com Diago, vários fatores pesaram na sua decisão. O primeiro, admite, foi o fato de poder, efetivamente, se tornar um dos sócios da Andersen dentro de quatro ou cinco anos. Mas não foi só isso que o segurou. "O carinho com que fui tratado e a liberdade de poder conversar abertamente sobre minhas dúvidas com vários dos sócios foram essenciais", diz Diago. Isso é política de comunicação aberta.

Outro bom exemplo da força de uma competente política de comunicação é o caso de Denise Viana, 34 anos, especialista na área de salários da Xerox. Há pouco tempo, ela recebeu proposta de uma empresa menor que a Xerox, na qual ganharia 45% a mais e teria o cargo de gerente. Não foi. "Aqui dentro tenho muito mais a médio prazo, mesmo sem ser gerente", diz ela. "Além de estar me desenvolvendo, tenho a maior liberdade para entrar na sala do meu chefe, quando quero, para falar o que quiser. Onde mais vou ter isso?"

Igualmente importante, para evitar a perda de talentos, é a empresa ter a prática de conversar com as pessoas que estão saindo para saber quais os seus motivos. "Sempre que alguém deixar a casa por vontade própria, a empresa deve fazer uma entrevista de saída", diz Robert Wong, diretor da Korn/Ferry International. "A entrevista de demissão é quase tão importante quanto a de admissão." De fato, essa é uma ótima oportunidade para as empresas verificarem no que podem estar errando.

Todas essas técnicas de recursos humanos para reter talentos não vão funcionar se não houver o que o professor da Universidade de Stanford Jeffrey Pfeffer chama de filosofia abrangente. "Só por meio de uma filosofia abrangente será possível conectar, de forma coerente, as diferentes práticas individuais com o todo", diz ele. "Se não houver uma profunda compreensão, por parte de todos, sobretudo das lideranças, do que elas representam e de porquê são importantes para a organização, não agregarão nada além de resultados medíocres."

Convém prestar atenção a tais palavras. O que está em jogo, ao fim e ao cabo, não é apenas o destino de cada funcionário, de cada executivo. O que está em jogo, acima de tudo, é o destino da empresa. O capital humano - formado pelos talentos que a empresa consegue reter e mais aqueles que atrai - tem, hoje, o poder formidável de matar (pela escassez) ou salvar e empurrar para a frente (pelo excesso).


Fonte
BERNARDI, Maria Amalia. O capital humano. Disponível em: <http://www.geocities.com/WallStreet/5703/o_capital_humano.htm>. Acesso em: 17 jul. 2008.

domingo, 26 de junho de 2011

Blogsy

E como primeira vantagem da migração do blog para fora da plataforma da Apple, um post inteiramente feito pelo iPad.