Imaginemos uma tapeçaria contemporânea. Ela comporta fios de linho, seda, algodão, lã de cores variadas. Para conhecê-la, seria interessante conhecer as leis e princípios relativos a cada uma dessa espécies de fio. Contudo, a soma dos conhecimentos sobre cada tipo de fio que compõe a tapeçaria é insuficiente para conhecer essa nova realidade que é o tecido - ou seja, as qualidades e propriedades dessa tessitura. É também incapaz de nos auxiliar no conhecimento de sua forma e configuração.
A primeira etapa da complexidade indica que conhecimentos simples não ajudam a conhecer as propriedades do conjunto. Trata-se de uma constatação banal, que no entanto tem conseqüências não banais: a tapeçaria é mais do que a soma dos fios que a constituem. O todo é mais do que a soma de suas partes.
A segunda etapa da complexidade revela que o fato de existir uma tapeçaria faz com que as qualidades desse ou daquele fio não possam, todas elas, expressar-se em sua plenitude, pois estão inibidas ou virtualizadas. Assim, o todo é menor do que a soma de suas partes.
A terceira etapa da complexidade é mais difícil de entender por nossa estrutura mental. Ela diz que o todo é ao mesmo tempo maior e menor do que a soma de suas partes.
Na tapeçaria os fios não estão dispostos ao acaso. Estão organizados em função da talagarça, isto é, de uma unidade sintética na qual cada parte contribui para o conjunto. A tapeçaria é um fenômeno que pode ser percebido e conhecido, mas não pode ser explicado por nenhum lei simples.
Fonte:
MORIN, Edgar. A complexidade e a empresa